Guia completo do que fazer em Olinda: centro historico, igrejas, atelies, mirantes e onde comer.

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Olinda: A Cidade que Parou no Tempo

A sete quilômetros de Recife existe uma cidade que o mundo reconhece como Patrimônio da Humanidade — e que a maioria dos brasileiros ainda não visitou. Olinda, fundada em 1535 pelos portugueses, tem um dos centros históricos mais bem preservados da América Latina: igrejas barrocas do século XVII que sobreviveram a invasões holandesas, ladeiras de paralelepípedo, casarões coloridos de azulejos e uma vista para o Atlântico que de vez em quando aparece entre os telhados coloniais.

Mas Olinda não é museu. É uma cidade viva, com ateliês de artistas plásticos, oficinas de artesanato, mercados de tapioca, bares de forró e o Carnaval de rua mais original do Brasil. Você pode explorar tudo a pé, em um dia cheio ou dois dias tranquilos.

O Centro Histórico de Olinda

O bairro histórico de Olinda fica no alto de uma colina com vista para Recife e para o mar. As ladeiras sobem por entre casas coloniais pintadas de amarelo, azul, rosa e branco, com muretas e janelas de madeira. É genuinamente bonito — e fotogênico em qualquer luz do dia.

Igreja e Convento de São Francisco

O conjunto religioso mais importante de Olinda foi construído em 1585 e é um dos exemplos mais completos de arquitetura colonial brasileira. O interior da Igreja tem painéis de azulejos azuis e brancos portugueses do século XVIII cobrindo as paredes de cima a baixo — uma experiência visual que te pega de surpresa. A visita é gratuita.

Mosteiro de São Bento

Fundado em 1582, o Mosteiro de São Bento está em funcionamento até hoje com monges beneditinos que vivem em clausura. Aos domingos às 10h, a Missa Cantada com canto gregoriano ao vivo é uma das experiências mais marcantes de Olinda — qualquer pessoa pode assistir. A sacristia tem uma coleção de arte sacra colonial de valor incalculável.

Catedral da Sé

No ponto mais alto do centro histórico, a Catedral da Sé tem o melhor mirante de Olinda: uma vista de 180° com o Atlântico de um lado e o skyline de Recife do outro. Suba até lá no fim da tarde para pegar a luz do pôr do sol sobre os telhados coloniais — é uma das fotos mais clássicas do Nordeste.

Museu do Mamulengo

O único museu do Brasil dedicado ao mamulengo — o teatro de bonecos tradicional pernambucano — tem uma coleção de mais de 1.000 bonecos e conta a história dessa arte popular que mistura comédia, crítica social e folclore nordestino. É pequeno mas muito bem curado. Ingresso: R$ 10.

Artesanato e Arte em Olinda

Olinda tem a mais concentrada comunidade de artistas plásticos e artesãos do Nordeste. As ruas do centro histórico são pontuadas por ateliês com portas abertas, onde você pode ver o artista trabalhando e comprar diretamente.

Os bonecos gigantes de Olinda (aqueles de 3–4 metros de altura que desfilam no Carnaval) são feitos todo o ano em ateliês do bairro. Você pode visitar alguns ateliês e ver o processo — é uma experiência única. Os bonecos menores são vendidos como souvenir por R$ 30–200 dependendo do tamanho e artista.

A Feira de Artesanato do Mercado Eufrásio Barbosa funciona todos os dias com renda renascença, cerâmica de barro, bordados, xilogravura e outros artesanatos pernambucanos. Preços direto do artesão — muito mais em conta do que nos aeroportos.

Gastronomia de Olinda

A Feira da Tapioca

Na Avenida Sigismundo Gonçalves, a Feira da Tapioca de Olinda é simplesmente a melhor do Brasil. Dezenas de barracas servem tapioca feita na hora com recheios tradicionais e criativos: carne de sol com queijo coalho, frango com catupiry, banana com mel e castanha, coco queimado, e a tapioca doce de leite condensado. Uma tapioca custa entre R$ 10 e R$ 18. Funciona todos os dias, mas é mais movimentada nos fins de semana.

Alto da Sé

O alto da Catedral da Sé tem uma fileira de barracas de comida com a melhor vista de Olinda. Caldo de cana, milho cozido, acarajé, cuscuz nordestino — comida simples, barata e boa. O movimento aumenta ao fim da tarde, quando todo mundo vai para o mirante ver o pôr do sol.

Restaurantes

Para uma refeição mais elaborada, a Oficina do Sabor (Rua do Amparo) é a referência culinária de Olinda: comida pernambucana com ingredientes da região em ambiente colonial. Para almoço casual, os restaurantes ao redor da Praça do Carmo têm bufê de comida nordestina por R$ 35–55 por pessoa.

O Carnaval de Olinda

O Carnaval de Olinda é diferente de qualquer outro no Brasil. Não tem sambódromo, não tem arquibancada, não tem separação entre quem assiste e quem participa. O Carnaval acontece nas ruas do centro histórico, com blocos subindo e descendo as ladeiras entre as igrejas coloniais, bonecos gigantes de até 5 metros desfilando entre a multidão e muita, muita música ao vivo.

O ritmo é o frevo — aquela dança impossível com guarda-chuva colorido e passos de acrobacia que parece CGI mas é real. Junto com o frevo, você tem maracatu, ciranda, coco de roda e os blocos temáticos que homenageiam de Lampião a figuras da cultura popular.

O Carnaval começa na sexta-feira antes do Carnaval oficial com o Sábado de Zé Pereira — procissão de bonecos gigantes que marca o início oficial das festas. Vai até a terça-feira de Carnaval. Para viver isso, reserve com muita antecedência — Olinda enche com turistas do Brasil inteiro e do exterior.

Como Ir de Recife a Olinda

A melhor coisa sobre Olinda é como é fácil chegar:

  • Uber/99: 15–20 minutos do centro de Recife, R$ 20–35 dependendo do horário. Mais prático se você tiver bagagem.
  • Ônibus: várias linhas partem do bairro de Casa Amarela e do centro de Recife para o centro histórico de Olinda. Custa menos de R$ 5. Leva 30–40 minutos.
  • A pé da Praia de Olinda: se você está hospedado em Boa Viagem (praia de Recife), pode ir de ônibus ou Uber até a Praia de Olinda (parte baixa) e subir a pé até o centro histórico — são uns 20 minutos de caminhada com subida, mas a vista ao longo do caminho já é parte da experiência.

Roteiro de 1 Dia em Olinda

Com um dia bem aproveitado, você consegue o essencial:

  • 9h: Chegada ao centro histórico. Visite a Igreja de São Francisco e o Mosteiro de São Bento.
  • 11h: Suba à Catedral da Sé para a vista. Tapioca e caldo de cana nas barracas do Alto da Sé.
  • 13h: Almoço no Oficina do Sabor ou em restaurante ao redor da Praça do Carmo.
  • 15h: Percorra as ruas do centro histórico, visite ateliês abertos, compre artesanato.
  • 17h: Feira da Tapioca para o lanche da tarde. Fique para o pôr do sol no mirante da Sé.
  • 19h: Retorno a Recife ou jantar em Olinda se houver evento musical.

Dicas Práticas para Olinda

  • Use calçado confortável: o centro histórico é todo ladeira — você vai subir e descer paralelepípedo o dia inteiro.
  • Leve dinheiro em espécie: muitos ateliês e barracas de tapioca só aceitam dinheiro ou PIX.
  • Visite os ateliês abertos: não é necessário comprar. Os artistas de Olinda estão acostumados com visitantes — é parte da cultura local.
  • Evite a praia de Olinda para nadar: a praia na parte baixa tem problemas de poluição e é desaconselhada para banho.
  • Para o Carnaval: hospede-se em Olinda ou em Recife Antigo — as comemorações seguem até as 4h da manhã e o retorno de Recife pode ser caótico.

Perguntas Frequentes sobre Olinda

Quanto tempo preciso para visitar Olinda?

Um dia inteiro é suficiente para o centro histórico e principais pontos. Com dois dias, você consegue ir mais fundo nos ateliês, visitar museus com calma e curtir a vida noturna local.

Olinda é segura para turistas?

O centro histórico turístico de Olinda é frequentado com segurança durante o dia. Ao anoitecer, fique nas áreas mais movimentadas (Alto da Sé, Rua do Amparo, Praça do Carmo). Como em qualquer cidade, atenção aos pertences em locais de grande aglomeração.

Qual é a melhor época para visitar Olinda?

Olinda é boa o ano inteiro, mas as duas épocas mais especiais são o Carnaval (fevereiro/março) e o período de festa junina de São João (junho), quando a cidade tem programação cultural intensa. Fora dessas datas, o movimento é bem mais tranquilo e você pode explorar o centro histórico com mais calma.

Olinda fica em Pernambuco?

Sim. Olinda é um município separado, mas faz parte da Região Metropolitana de Recife — praticamente uma extensão da capital. Fica no litoral norte de Recife.

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